Não irei fazer resumo tático, técnico, comentar a escalação do Mano ou alguma coisa do tipo.
Não. Apenas vou comentar o tal Fato, mesmo que depois de 5 anos ainda não tenha conseguido expressar tudo que penso sobre o 26/11/2005
O dia já havia começado tenso, os Gremistas de Porto Alegre, estavam enfiados em casa, ou nos bares com amigos para assistir ao jogo da vida. Se o Grêmio subia. Ou não.
Se houvesse uma tragédia, como parecia que o arbitro Djalma Beltrami queria, não saberíamos o futuro do clube. O que aconteceria se tivéssemos que padecer mais um ano no inferno dos clubes da séria B?
Não era lugar pro Grêmio, e mesmo contra todos os fatos, possivelmente aceitáveis do futebol. Nós voltamos.
Não há como negar que Deus colocou a mão naquele jogo. Que era para voltáramos, mesmo que para isso tivéssemos que atravessar as barreiras do Inacreditável.
Os Gremistas de olhos e ouvidos também no jogo do Santa Cruz, já que percebemos que não teríamos ajuda do outro clube nordestino, tínhamos que fazer a nossa parte.
O primeiro susto, um pênalti muito duvidoso para o Náutico, Todo o Estado de olhos na frente da televisão, colorados preparando seus foguetes, Gremistas de olhos transbordando e coração apertando. Isso não podia acontecer, o pênalti não poderia ser convertido. E não foi.
Foi na TRAVE.
Também me recuso a comentar o que o Náutico fez no pré-jogo, foi de uma anti-desportividade que não merece ser comentada.
Mas nenhum de nós poderia sequer imaginar o que estava para vir no segundo tempo.
Logo Escalona foi expulso e a tragédia começava a ser anunciada.
Para compensar um pênalti não dado a equipe pernambucana, Beltrami resolveu compensar e marcar toque de mão dentro da área. Que só ele viu.
Os jogadores do Grêmio se revoltaram, Patrício foi expulso logo após dar um peitaço no juiz. A partir daí o fim do Grêmio estava sendo anunciado.
Houve invasão de campo. Policias que entraram para bater. O Presidente Odone não sabendo se tirava ou não o time de campo. Se o Grêmio saísse de campo e o jogo fosse para os tribunais, dificilmente venceríamos.
Gremistas perplexos com o que estavam vendo, o Brasil parou para assistir o que seria o fim de um dos grandes e mais tradicionais clubes do Pais.
Então num ritmo alarmante o Grêmio foi perdendo seus jogadores. Escalona e Patrício já haviam ido. Logo depois Nunes e mais adiante Domingos. Se perdêssemos mais um jogador, o jogo estaria acabado por numero de atletas insuficientes para dar sequencia ao jogo.
Sandro Goiano em cima da marca penal não permitia que o Náutico executasse a cobrança, mas não tinha jeito.
O pênalti foi cobrado.
Nos poucos segundos da cobrança nós, Gremistas, estávamos em transe, não estávamos mais em nossos corpos, o que estava acontecendo não era justo. Por não ser justo, não foi permitido.
O abençoado Galatto, escreveu seu nome na historia em um único lance. A defesa de pênalti, possivelmente a mais importante da historia do Grêmio.
71 segundos depois ainda estávamos comemorando quando Anderson, o garoto predestinado fez o gol.
Em 71 segundos fomos do inferno ao céu, e tivemos certeza de que Deus estava ao nosso lado. Ainda faltava algum tempo de jogo, devido a grande paralisação, mas não perderíamos mais. Os Deuses da bola já haviam feito sua escolha.
O Santa Cruz já estava comemorando o titulo. Tolos foram aqueles que não aguardaram o desfecho dessa historia. Tolos são aqueles que não acreditaram no Grêmio.
As principais ruas do estado estavam tomadas de Gremistas. Eufóricos. Enlouquecidos. Com o orgulho de ser Gremistas transbordando, não cabendo mais no peito.
Por isso, ano a pós ano comemoramos esse feito. O orgulho não vem exatamente do titulo, mas da maneira como foi conquistado.
Por isso que existe trapos que lembram essa data. Por isso DVD’s e livro foram lançados para relembrar esse episodio.
Porque na historia do futebol não existe feito como esse. E tinha que ser o mais predestinados dos clubes do Mundo a realizar esse feito e deixar o nome na historia do futebol, como o clube que venceu com 4 jogadores expulsos, e com dois pênaltis contra.
É o Grêmio. Porque o 'impossível" não existe no nosso vocabulário
Muitos clubes comemoram títulos, outros poucos comemoram grandes façanhas, mas só o Imortal Tricolor pode bater no peito e dizer: Driblei meu próprio destino e escrevi meu nome na historia.




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