Não consigo lembrar quando foi a última vez que eu chorei... Quer dizer, eu lembro sim, mas faz tanto tempo que eu não sei o motivo. Tenho uma vaga ideia de que foi pelo mundo de ilusões que eu criei, e eu vi se desmanchar na minha frente. É isso que fazemos com nós mesmos quando não queremos ver uma coisa óbvia. E depois, quando a cegueira passa e as coisas aparecem, muito mais claras do que um dia pensamos, vimos tudo indo embora, e dá uma sensação de alívio, de perda, de fracasso. Mas acima disso, a certeza que fizemos nosso melhor. Nunca tive vergonha de chorar, me sentia fraca por estar chorando por quem não merecia. Talvez exatamente por isso, dessa vez não derramei nenhuma lágrima por ele. E sim por mim, por ter consigo chegar ao fim, por enfim ter visto tanta coisa que fazia questão de tapar os olhos. Chorei uma vez. Uma vez. E só. Deixei que o rio de lagrimas lavasse meu arrependimento por ter sido tão boba, e assim que sequei os olhos deixei a antiga pessoa que eu era para trás, decidi que iria falar, mesmo que fosse incomodar, decidi não deixar de fazer o que eu queria, e não tapar os olhos para mais nada. Decidi não amar mais, pode parecer tolo, mas evita muita coisa, mas não sou idiota ao ponto de não saber que um dia, chegará alguém que vai me fazer parar de pensar no amor como algo distante, mas sinceramente, acho que tenho força suficiente para evitar se a pessoa não for boa, sincera e realmente me fizer bem. Com mais uma decepção eu pude aprender uma coisa boa. A me amar antes de amar alguém, a me colocar em primeiro lugar. Seu amor, que na verdade nem foi amor, me deu uma boa lição, se a verdade já era importante para mim, agora é vital. Não me arrependendo de ter te conhecido, mas me arrependo de ter te deixado voltar para a minha vida. Mas foi muito mais fácil do que eu pensava deixar de pensar em ti. Agora sinto nojo, pena, e desprezo; e não consigo te ver mais no que acreditei. Você é de mentira. E hoje eu vejo, eu nunca te amei como pensei que amava. E é tão bom não te ter mais na minha vida.
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